terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Dinheiro mal gasto: fenômeno global

Como já argumentamos com os exemplos de Barcelona e Arsenal, muito dinheiro num clube sem a implantação de uma filosofia de trabalho não funciona nem um pouco.
Dentre os exemplos mais recentes, temos na Europa os casos do russo Anzhi, do francês PSG e o inglês Manchester City, caso de excelência.
Os trilhonários russos e árabes, muito influentes nos campeonatos ingleses com os patrocinadores das companhias de voo, tem migrado agora para o futebol local da ex-união soviética. Roberto Carlos e Jucilei deixaram no início desse ano o Corinthians após o despejo de uma dinherama. Logo depois veio Samuel Eto'o, esse sim um nome de impacto numa liga ainda menos competitiva e organizada que a brasileira.
O rostinho bonito de Leonardo ainda não disse a que veio nem na prancheta tampouco na cartolagem. Muitos reforços e pouco resultado dentro de campo: eliminação precoce do clube parisiense na Liga Europa!
O City noticiou neste ano o maior déficit de um clube de futebol europeu, numa cifra que ultrapassa os 200 milhões de reais e também decepcionou na Champions League, amargando uma terceira posição. A Liga Inglesa virou obrigação? Sim se o intuito for simplesmente dinheiro. Com certeza, esse seja o intuito, o que só mostra a falta de implantação de uma filosofia de jogo. O City contratou muitíssimos jogadores sem uma coerência de critérios, investindo pesado do meio para a frente quase que exclusivamente. Robinho foi um caso modelar da gestão milionária dos sheiks. Em seguida, no presente ano, contrataram Aguero e Dzeko.. corroborando a imagem de fanfarrões cheios da grana por parte dos cartolas orientais:

http://www.youtube.com/watch?v=bJ9r8LMU9bQ&ob=av2n  

Paulo Calçade informou a respeito de um possível fair play econômico a ser avaliado nos clubes. Será que rola mesmo? Há dinheiro limpo no futebol? É possível montar equipes somente com grana? Só se for com esse dinheiro descarado e que não parece trazer muito sucesso... aliás, o Chelsea de Abramovic está aí tentando uma Champions desde não sei quando...

Esse panorama europeu só mostra o que todos já sabem: o futebol não é sujo e mal organizado apenas no Brasil, mas há exemplos muito positivos a serem seguidos na europa. O dinheiro mal gasto pelos clubes supracitados é proporcional às pataquadas de alguns clubes brasileiros como o Flamengo, que desembolsa muito dinheiro pra ter jogadores em péssimo momento. Deivid é, infelizmente, só um deles.
Provavelmente, os grandes brasileiros que se importarem em fazer um pé de meia com a grana oriunda dos novos acordos televisivos poderá se dar bem no futuro muito nebuloso do pós-copa, afinal se a economia brasileira conheceu o estatuto de sexta economia mundial nesta semana e os estadunideneses já sinalizam melhoras lentas, a Europa pode freiar e muito um crescimento econômico para os próximos anos. Se bem que é muito mais provável uma reestabilização europeia do que ao menos um clube brasileiro que faça o utópico pé de meia...

sábado, 24 de dezembro de 2011

O futebol ritualístico: uma filosofia de jogo

A espera que a equipe catalã apresenta ao longo de todos os minutos de um jogo evidencia que o futebol bem jogado é aquele que é também pensado.

http://www.youtube.com/watch?v=RiPiWW0jV-4

Tocando a bola desde a reposição do tiro de meta, o barça mostra que a tônica de sua filosofia é jogar simples, não errando nos fundamentos, em detrimento de malabarismos táticos ou de uma base que forma apenas muralhas no meio e cones na frente.

O toque de bola sempre com a equipe muito compacta, com ao menos três jogadores muito próximos faz com que as triangulações, hoje tão raras numa partida do campeonato brasileiro, sejam rotina numa partida do melhor time do mundo.

A filosofia do Barcelona é, em poucas palavras, jogar bola, ao invés de se preocupar demais com o adversário e, consequentemente, se retrancar. Mesmo a equipe de Dorival Júnior de 2010, o Santos que não mais existe, era bem mais defensivo. Para marcar sob pressão durante os noventa minutos, é preciso preparo físico e muito treino.

No dia em que observarmos um lateral brasileiro de origem(tendo em vista os inúmeros alas-severinos, reis do improviso) cruzando bolas com aproveitamento maior que cinquenta por cento e zagueiros saindo tocando a bola sem se estabanar (como no caso de muitos que apenas fazem isso no desespero de sua equipe em situação de desvantagem no placar) aí sim o futebol brasileiro estará em outro caminho. Isso está muito longe de acontecer. A geração de Mano Menezes é, infelizmente, muito jovem. E tem o Jorginho por aí agora também...

http://www.youtube.com/watch?v=W9HZsf6DWGM

É isso aí. E pra quem acha que é só o barça que joga assim, o Arsenal da Inglaterra, infelizmente não conta com os mesmos investimentos, porém apresenta filosofia de jogo muito parecida. Semelhantemente, é uma equipe que trabalha muito com os fundamentos dos jogadores. Basta ver que todos os meias tocam muito bem a bola como, por exemplo, Song. Se ão forma todos os seus jogadores, aposta em muitos jovens e baratos jogadores. Muitos podem não dar certo, como no caso do esdrúxulo Breidtner, mas o que falta no Brasil é exatamente isso: uma filosofia bem definida nas equipes.
Pra ter filosofia é preciso muito mais do que bilhões. É preciso muito tempo e uma ideologia que esteja em conjunção com a identidade do clube em questão. Os clubes precisam olhar para seu passado, principalmente os brasileiros e ver que equipes como o São Paulo de Telê Santana e o Flamengo liderado em campo por Zico já possuíam a tal filosofia de jogo. Não com o mesmo marketing dos catalães, mas convenhamos que outro contexto; outra conjuntura.
Ter filosofia de jogo não é nem vender jovens jogadores ao exterior tampouco investir muita grana em repatriações. Ter filosofia é sim manter um técnico por um bom tempo, desde que ele entre em consonância com os planos a longo prazo da diretoria, corpo que precisa ser exemplo de organização. Agora, Muricy, jorginho, Mano, são técnicos de filosofia ou de resultado? Tire suas próprias conclusões...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Tapa na cara da geração retranca

http://www.youtube.com/watch?v=U46jeI4Bw6U

3-5-2 não é a salvação. Um dos esquemas menos compactos, que menosprezam a criatividade em potencial do setor de meio-campo, levou um tapa na cara do Barcelona num dos últimos jogos importantes deste ano para o futebol brasileiro. Muricy compõe a longa lista de técnicos que montam equipes "rápidas, que jogam muito no contra-ataque". Mano Menezes, Cuca, Caio Jr. e o próprio Dorival Júnior são todos farinha do mesmo saco. De fato, uma equipe com uma defesa sólida até pode vencer muitos jogos por 1 a 0, tal qual foram os feitos do São Paulo nos títulos brasileiros de 2006, 2007 e 2008 e do Santos na Libertadores 2011. Porém, eram todos campeonatos nivelados por baixo.
O grande problema de tal esquema é o espírito covarde que implica aos jogadores, ilustrado de modo exemplar na partida dos santistas contra a grande equipe catalã. Covardia mesclada sempre com um pouco de burrice, pois enfiar três zagueiros e três volantes na grande área é dar total liberdade para a criação do melhor meio-campo do mundo.
Tomara que Muricy Ramalho perca de vez sua moral de melhor técnico do país, posição a qual nunca foi unânime entre o povo. Tapa na cara semelhante levou a LDU, ao ser massacrada pela Universidad Do Chile.
http://www.youtube.com/watch?v=4xAG805wJfU
Longe de ser uma equipe que dá espetáculo, os chilenos apresentam um futebol de muita compactude, diferentemente do festival de chutões que faz a equipe equatoriana, muito dependente das penetrações dos alas.
Vamos combinar que o espetáculo do futebol é com a bola no chão, tocada de pé em pé, driblada, tudo menos chutão. Que o público clame por menos chutão no ano que vem.
 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A morte da consciência

Enquanto a mídia ordinária já incita a pressão pelo título da libertadores do ano que vem, a história do Corinthians teve a morte de um ícone já esquecido pelos teorcedores mais jovens. Muitos corintianos não sabem sobre a democracia corintiana e outros milhares já ouviram falar, mas não dão a mínima. O movimento em prol da consciência no futebol morreu com Sócrates em situação na qual o Corintihians vence um título de maneira muito justa, porém sem nenhum brilho. Não há nenhum craque na equipe, há grande possibilidade de alguns saírem (Paulinho é o mais cotado) e não há experiência em competições internacionais. O Santos está no Japão e deve manter a mesma base para o ano de seu centenário e o Vasco pôde entrosar ainda mais seu elenco nesse segundo semestre, além de poder aprender com os erros na copa sul-americana.
Tendo isso em vista, até que ponto vale a pena se sentir orgulohso de ser maloqueiro e sofredor? Ser corintiano neste momento é ser massa de manobra, apagando letalmente o legado do Dr. Sócrates. O Corinthians passa por uma boa gestão administrativa, mas a política mais recente se aproxima da de uma equipe sem grandes jogadores e com muita disciplina tática, diferente do meio campo passador vascaíno e do talento dos meninos da vila. Sabe-se que tal disciplina costuma dar bons frutos numa disputa continental nivelada por baixo, como a Libertadores, mas isso vai de encontro com uma característica da torcida corintiana: fazer o time jogar com o coração. Enquanto houver uma pressão da torcida para que a euipe jogue com o coração e da mídia, forçando uma obrigação em conquistar um título obtido por todos os rivais, fica difícil.

domingo, 27 de novembro de 2011

O cúmulo do óbvio traz esperanças

o campeonato brasileiro desse ano foi nivelado por cima, calando todos os provincianos que creem ser melhor um jogador se transferir para o Metalist ou para o Kashima Antlers. Como o futebol chegou nesse nível? Por causa do dinheiro, óbvio.
Se é pra ser assim, que seja... 
O futebol é um traço da cultura brasileira sim e merece investimento. Sendo possível o investimento, a liga brasileira, ainda embrionária, tende a se fortalecer cada vez mais.
Possíveis roubalheiras e manipulações à parte, o campeonato só não foi melhor devido à ingerência da CBF, cuja preocupação nunca foi o desenvolvimento interno. 
Esse será um processo com o qual o torcedor do grande clube deverá compreender com sensatez, para que não encha tanto o saco dos jogadores do clube. Aliás, todo conjunto de crenças tende a ser nocauteado, pois há clubes competitivos que não irão ganhar títulos justamente pelo fato de haver uma concorrência cada vez maior. Ora, Internacional e São Paulo, que conquistaram títulos importantes recentemente, não vencem muito pelos seus rivais, com elencos tão competitivos quanto. Os dez primeiros clubes da tabela derradeira são clubes que dariam trabalho à maioria dos clubes internacionais. É óbvio que o Barcelona é um projeto de décadas e se torna exceção dentro da própria Europa.
Portanto, àquela mídia de bastidores mentirosos, metida a derrubar um técnico por semana: vá pro inferno! 

sábado, 26 de novembro de 2011

O super simples sai caro. E daí?

Às vésperas do Mundial, ainda tem gente achando que o Barcelona empataria com o São Caetano caso tivesse que encarar um gramado como o do Anacleto Campanela. Pra quê tanta teimosia?
O time catalão criou uma escola, na qual a meta é, por incrível que pareça, jogar simples.
É simples sim: não errar passes e, para isso, contar com um belo preparo físico e com muito mais seriedade do que criatividade. Para tanto, são necessários bilhões....
Ok, e daí? Por quê no brasil é legal fazer parte de uma equipe sofredora?
Dane-se a raça! Que venha ao reino do futebol ainda mais grana, para que surjam outros barças.
Chega de ufanismo setentista travestido pelo futebol da luta. Mesmo as seleções de 2002 e 1994 possuíam seus craques e que craques (Romário, Ronaldo, Rivaldo, etc).
Chega dessa babaquice de vencer na raça. Isso é coisa de série B... futebol brasileiro é série A. Pelo menos não devia ser...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

o de cima passa; o de baixo fica

Semelhantemente à analise  desigual do crescimento das cidades, realizada pela banda Chico Science & Nação Zumbi, é a Copa do Brasil. Entra ano e sai ano e as condição materiais são estáveis, cada vez mais consolidadas. As partidas realizadas ontem revelam algo que já não precisa ser revelado. Alguém apostaria no Treze da Paraíba? Por quê não? Ora, a concentração dos investimentos em clubes de futebol se localiza no centro-sul brasileiro. O banco BMG, por exemplo, patrocina São Paulo, Cruzeiro e Atlético Mineiro, a Unimed banca o Fluminense e por aí vai. Disso decorre uma atenuação da atual situação de outro problema do futebol nacional: o calendário. Iniciando os treinamentos em meados de janeiro, as equipes da elite nacional ainda se encontram em pré-temporada, com jogadores sem o devido preparo físico ou ainda à procura de reforços, como o caso do Palmeiras, atualmente na busca de um centro-avante. Taticamente, isso se reflete numa notória falta de compactação das equipes. O Sâo Paulo, por exemplo, apresentava um lado direito totalmente distante, pois Jean não conseguia acertar uma tabela sequer com os meias tricolores. Sem falar no trio de zaga que, à medida em que se dão as atuações são-paulinas, observa-se cada vez mais lambanças, uma falta de entrosamento sem muita explicação, dado que o corpo bruto desta zaga está no clube há pelo menos três anos. Se ninguém sabe quem vai pra bola na marcação dos defensores, no meio campo não é diferente. Carlinhos Paraíba não marca e não acerta passes, muito menos lançamentos e Rodrigo Souto parece estar dopado em todas as partidas. Mas não dopado de cocaína, como já lhe ocorreu e sim de maconha ou algo do tipo, pois o cidadão é demasiado desligado. O São paulo não possuía jogadas coletivas que davam certo, até o retorno da promessa Lucas. Em seu primeiro jogo após o pré-olímpico, ele foi o único jogador que chamou a responsabilidade e armou as jogadas. Sorte do técnico Carpegiani, que deve aumentar suas chances de obter melhores resultados daqui em diante, tendo em vista que Rivaldo permanece machucado (nossa... é mesmo?), Juan e Jean são limitadíssimos e Ilisnho também vive se lesionando. O jogo do São paulo ficou manjado a partir do momento em que todos os técnicos sucessores da equipe campeã de Autuori e Muricy passaram a concentrar as jogadas do time exclusivamente pelas alas. Jean sequer é ala, assim como é incompetente no meio campo. Juan é o típico jogador gasparzinho, vive sumido quando o assunto é clássico ou jogo decisivo, é só puxar a ficha do jogador e ver suas duas passagens pelo futebol carioca. Lucas se movimentou muito, se aproximando dos atacantes e, de vez em quando, dos alas tricolores, com tabelas inteligentes que acarretavam numa facilidade de penetração pela defesa adversária. Enquanto está tudo bom pro lado do Lucas, com renovação de contrato que lhe dá o mérito de passar a ser o jogador com a multa rescisória mais cara do futebol brasileiro hoje, também há problemas. A belíssima atuação do meia-atacante foi contra uma equipe paraibana, não inclusa na elite nacional, que disputa a série D do brasileiro. Enquanto Lucas só sai se pagarem mais de 100 milhoes de reais e pertence ao clube brasilero com uma das 10 maiores folhas de pagamento do país, o Treze costuma passar por tentativas de enxugamento da folha, que certamente não chega a um milhão. O clube paraibano sequer chegou a tewstar Rogério Ceni no primeiro tempo. Méritos do São Paulo? Não. Mérito das condições materiais, pois o São Paulo continua sendo uma equipe pouco compacta, embora seja interessante a escalação que Carpegiani faz no setor ofensivo, somente com jogadores de movimentação. Portanto, mesmo com um futebol pouco perigoso, extremamente dependente dos lampejos de um único jogador,o São venceu o Treze por 3 a 0 e passa pra a próxima fase. Lucas ainda é uma promessa que já sehipervalorizou devido ao empresário que o agencia. Wagner Ribeiro e cia deveriam pensar projetos que possibilitassem a expansão da competitividade do futebol nacional, ao invés de trabalharem pela lógica da concentração no centro-sul. Ora, o país inteiro possui estádios com potencial para serem lotados se bem trabalhada a política dos ingressos, porque o futebol é um fato cultural muito protagonista aqui.Porém, esta política empresarial deve ser tão lucrativa que causa tamanho conforto dos que detém asparecelas das pizzas. Um conforto nas maõs de poucas pessoas e, portabela, de poucos clubes brasileiros.

Porque Drogbas são desnecessários

Quem viu Arsenal e Barcelona não deve tido sido intimidado somente pela beleza das jogadas. Particularmente, impressiona a semelhança tática das melhores equipes do mundo atualmente. Há dois ou três meses atrás, com o Real Madrid do brilhante José Mourinho em ascensão, somado às vésperas do clássico Real x Barça, os olofotes acabaram por ofuscar a equipe londrina. Embora sejam frequentes os tropeços frente a equipes inferiores no campeonato inglês, o jeito de o Arsenal jogar é tão encantador quanto o da equipe catalã. A movimentação dos meias é tão intensa que há momentos em que nota-se cinco ou até seis jogadores da equipe do Emirates atacando os adversários. O mesmo se dá defensivamente, pois jogadores como Song, Wilshere e até mesmo Fabregas ajudam muito na marcação, sem falar na efetividade dos laterais Eboue e Clichy. O primeiro destaque a se fazer sobre toda a dinâmica desta equipe é o excelente preparo físico dos jogadores aliado à polivalência dos mesmos. No Arsenal, não joga lateral que é ala, como no Brasil e os meias avançados marcam mesmo, diferente de jogadores brasileiros como Douglas (Grêmio), Roger (Cruzeiro): belos jogadores com a bola nos pés mas péssimos marcadores. Em suma, é o elenco dos sonhos para um Muricy Ramalho, que adora ver suas equipes se aproximarem das equipes de basquete, nas quais todos marcam e atacam, evitando ao máximo qualquer tipo de sobrecarga em alguma zona do campo. Mesmo sendo um modelo ideal, o mesmo se destaca muito quando as equipes podem aplicá-lo. Não a toa, o Barcelona é semelhante: além de Messi, Villa e Pedro se movimentarem de modo infernal aos seus adversários, eles exercem uma acentuada pressão na saída de bola do oponente. Voltando mais atrás, Xavi e Iniesta são craques com e sem a bola, até porque caso não soubessem marcar, o Barça não conseguiria jogar o fino do fino. Ora, sem uma espécie de infra-estrutura de marcação, não há eficiência em nenum ataque. A defesa, por sua vez, contém excelentes jogadores com condição de saída de bola segura, pois  além de Abidal exercer a dupla função de lateral e terceiro zagueiro, Piquet e Puyol são zagueirões seguros com a bola nos pés, de modo que podem seguramente conduzir a bola em direção à defesa adversária em momentos de marcação cerrada nos atacantes de sua equipe.
 A diferença aqui é que não há Drogbas nestas equipes. Diferentemente de 99% dos clubes da elite do futebol, Arsenal e Barcelona não plantam atacantes com físico de boxeador na área adversária e concentram suas jogadas em lançamentos ou linha de fundo. No Brasil, as escalações com três zagueiros só evidenciam a limitação do elenco das equipes, concentrando a armação nas jogadas de linha de fundo por parte dos falsos laterais ou alas. Não precisa dizer que 99% das equipes, consequentemente, jogam no contra-ataque e que, por essa limitação que Washington(aposentado neste ano) ou mesmo Souza(Bahia) se destacaram um dia. Certamente, Drogba é melhor jogador que Souza e Coração Valente, mas somente em critérios estatísticos. O marfinense erra menos, mas a chance de sua inserção tática com êxito numa equipe como Arsenal ou mesmo no Barcelona é pequena. O futebol bem jogado é muito mais leve que os grandões da zaga e do ataque, se falar dos grandões do meio, como Jucilei (Corinthians). Força física é fundamental no futebol contemporâneo mas, num futebol de extrema competitividade, como o da UEFA Champions League, é só uma das competências fundamentais de um elenco vencedor. Ela deve ser somada à disciplina tática e, principalmente, à flexibilidade dos próprios jogadores dentre de campo. O problema é que como a falta de força física pode impedir um jogador de aguentar uma temporada inteira, a formação dos novos jogadores têm se dedicando quase que esclusivamente a essa competência. De fato, frequentemente nos espantamos com a quantidade de passes errados numa partida do campeonato brasileiro. Em campeonatos regionais ou em Copas do Brasil, os dados são dignos de ser considerados amadores! Essa coisa de um jogador ser profissional e não saber cruzar uma bola, chutar a gol ou marcar o adversário só corrobora que, no Brasil, as condições materiais são nebulosas. Ou seja, não sabemos ao certo o que acontece nos bastidores da formação dos jogadores, mas a quantidade de boatos acerca de pessoas endinheiradas que "pagam" para que seu filho, afilhado, irmão, etc se torne profissional é gritante. Disso resulta que os bons jogadores serão inveitavelmente levados à europa e aqueles medianos, irão rapidamente aos mercados emergentes, restando péssimos jogadores no futebol brasileiro.
Portanto, ver equipes como Arsenal e Barcelona é difícil dadas as condições financeiras e materiais. Porém, treiná-las é mais difícil ainda, pois não são todos os clubes dispostos a realizar trabalhos a longo prazo para a pesquisa de verdadeiros talentos, como fazem as bases destas duas equipes. O modelo de elenco polivalente ainda é muito representado pelo jogo de contra-ataque sem qualidade, de bola alaçada pra área. Oxalá o jogo das equipes de ontem possa um dia se tornar o novo paradigma para uma equipe de futebol: moderno e, acima de tudo, de qualidade.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sensacionalismo barato

Da mesma forma que o cinema é indissociável da chamada indústria cultural, o sensacionalismo está para o jornalismo de quinta categoria. A estrutura das notícias rotineiras em canais como bandeirantes, sbt, rede record e, principalmente, rede globo, se encontra em todas as tentativas fenomenais de contornar problemas que tocam os paparazzi. Ora, se há pelo menos quatro anos as notícias sobre Ronaldo Nazário se concentram em sua vida privada, não há como dissociar a vida privada da vida pública deste que é um ex-jogador desde o fim da copa do brasil 2009. Em seu ano de retorno ao Brasil, o fenômeno de fato conseguiu burlar a mídia com alguns feitos para o Corinthians. Entretanto, se olharmos todos os episódios negativos do craque, logo veremos que as notícias positivas praticamente se equilibram com as negativas. Dentre os ínumeros fatos que poderiam ser elencados neste post, vamos nos deter em dois mitos bancados pela mídia sensacionalista: a exaltação do jogador em fim de carreira e a utopia do jogador-marketing. Quanto ao primeiro, isso tange diretamente nas atuações do atacante. Num contexto histórico em que se diz que o futebol brasileiro vem se modernizando, como aceitar que um jogador cujo peso se aproxima de 100 quilos possa ser chamado de profissional. O ato de ser atleta precede o ato de ser jogador de futebol. Infelizmente, a dialética da malandragem ainda impera com um tom eufórico, quase heróico no Brasil, fazendo com que todos os protagonistas que fujam das regras sejam os diferenciados no país. Consequentemente, a formação ética do esporte, traço que ainda mantém a esperança de muitos defensores do investimento maciço nesta grande área para todo o país e de modo descentralizado é rechaçada por completo devido ao império de Romários, Ronaldos, Edmundos.. todos craques. Craques não só da bola, como também do copo, da pegação, etc. Além disso, ainda tem-se que aturar o segundo fato, cujo slogan sempre se remete ao avanço na gestão dos clubes brasileiros de futebol. A ideia de bancar um craque, ou seja, uma forte marca, tem sido muito elogiada e incentivada por grande parte dos cartolas e, obviamente, de grande parta da crítica, cheia de rabos presos. O que é melhor: bancar um Ronaldo, sócio do clube, jogador de menos da metade dos jogos oficiais do clube pelo qual atua numa temporada ou bancar Neymar, Ganso, Alexandre Pato, o lateral Fábio, Thiago Alcantra, filho de Mazinho? Enquanto o ancião Rivaldo chega ao São Paulo, o tricolor briga para vender o atacante Ronieli, que fez boa Copa São Paulo ano passado, ao Blackburn. Ora, um cidadão procurado por um clube inglês certamente seria útil a um clube cujo técnico reclama clamorosamente acerca da carência de homens de frente no elenco. Grande projeto de marketing foi o de Neymar e o São paulo deve abrir o olho com Lucas, ex-Marcelinho. Entre o gol chamado de antológico na Vila Belmiro marcado por Ronaldo em 2009, prefiro ficar com a dezena de golaços feitos pela equipe santista ao longo de uma temporada inteira (2010). Embora Ronaldo tenha sido um dos melhores em sua posição, ainda prefiro o Romário  da copa de 94 assim como o Edmundo de 96-97. Mais: o grande heroísmo de Ronaldo fenômeno foi em 2002, num momento acompanhado de uma mudança na auto-estima brasileira, com uma nova taça do mundo e, muito mais importante, com uma nova cara na presidência da república. Negar este capítulo da história brasileira, do qual Ronaldo faz parte seria pura estupidez, assim como negar todo o aparato midiático que fez de Ronaldo um dos mais novos magnatas do mundo brasileiro da bola a partir de 2009, que manda e desmanda num dos mais populares clubes do país, seria menosprezar demais a inteligência dos que assitem tv. Menosprezo esse notadamente frequente em canais que vivem de merchan para pode noticiar porcamente as notícias do futebol brasileiro. Caso não houvesse a tal superação de 2002, Ronaldo ficaria lembrado pela final da copa de 1998.
Portanto, sem essa pouca vergonha de levar filhos e tiróide em entrevista coletiva, ok? Sem essa de levar cesta básica cheia de anúncios publicitários pros desabrigados das enchentes do Rio, ok? Sem essa de dizer que passou por inúmeras cirurgias e por isso não deve satisfação aos torcedores, sejam vândalos ou não, falô maluco?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Reles publica

Em que lembra a atual república popular do Corinthians daquela liderada por Sócrates? Os acontecimentos somente evidenciam que, quando o assunto é futebol, o povo brasileiro se exalta, discute arduamente, é radical. Quem dera fosse essa postura radical do povo brasileiro em relação a assuntos como a corrupção política, corrompedora do próprio futebol. Embora a referência seja a atos de uma minoria de torcedores corintianos, estes fatos ocorrem por todo Brasil, assim como em outros países europeus. Jogos de Europa League contendo gregos e turcos ou equipes eslavas costumam protagonizar a recorrência da violência no futebol, sem contar os hooligans. Entretanto, nota-se um radicalismo dos torcedores da Europa também no tocante às questões políticas. O atual momento econômico europeu motivou inúmeros atos de protestos de estudantes e trabalhadores gregos e ingleses, por exemplo. Por mais impoliticamente correto que possa ser, os torcedores corintianos protagonistas dos episódios das últimas semanas e afins deveriam se inspirar no espírito europeu, a fim de acabar com a apatia política brasileira. Afinal, a genuína reles publica existe na condição da participação dos cidadãos. Uma vez que não há meios civis de contornar a situação, o radicalismo parece ser uma alternativa. Será que uma carta formal às universidades britâncias funcionaria para que não houvesse o drástico aumento nas mensalidades das mesmas? Nota-se que em alguns casos o levante se faz necessário, por mais inconfundível que este seja em relação aos acontecimentos decorrentes da eliminação do Corinthians frente ao Tolima.

sem potencial, muito menos tática

Esse é o São Paulo. Conforme o título, não há grandes talentos tampouco sistema tático consolidado. Ainda que Lucas seja uma bela promessa, tem muito a provar no tricolor paulista. Como o próprio disse em entrevista após goleada frente a seleção uruguaia, são necessários títulos na carreira de um jogador. De fato, é diferente jogar contra o Linense e contra o Internacional de Porto Alegre numa semi-final de Libertadores. Sem falar da confusa transferência do idoso Rivaldo, cuja verdadeira promessa deve ser a de uma irregularidade imensa.  O atual espírito do São Paulo é de falta de comprometimento em todos os âmbitos. Somado à escassez de craques, fica evidente a dificuldade de Carpegiani consolidar um esquema tático, o mínimo que se espera de um técnico de ponta e, por isso, a Copa do brasil chegou e o São Paulo não pode ser considerado favorito. São ínumeras as desculpas após as derrotas: falta de entrosamento, gramado ruim, a bola que não entra,etc. Entretanto, o fato é que Carpegiani está a quase seis meses no São paulo e mal possui um esquema tático. Após olharmos ao técnico e percebemos sua incompetência, não vemos diferente horizonte quanto ao elenco sãopaulino.

A limitação de um elenco

Luan, Rivaldo, Dinei... Um grande jogador sempre visa a aparição num clássico futebolístico e esse desejo é ausente na maioria do elenco palmeirense. Embora haja a disciplina tática, o respeito ao técnico e afins, o futebol ainda depende da depuração da individualidade. Sem competência nas finalizações, o Palmeiras desperdiçou a chance de folgar na liderança do paulistão e rir ainda mais do rival, que afundaria numa crise mais do que danada. O ponto positivo é que a vitória corintiana pausa os eventos de barbárie na seção corintiana de notícias. Certamente, a distinção do futebol frente a outros esportes é uma maior flexibilidade estrutural do próprio jogo: ou seja, um goleiro pode fazer um gol numa cabeçada de escanteio aos 47 do segundo tempo, assim como pode cobrar uma falta no ângulo em difícil jogo fora de casa. Sem jogadores potencializadores dessa flexibilidade estrutural, que vai além do compromisso tático, uma equipe dificilmente será vencedora.

Maikon Leite

Seguindo a mesma linha de Wesley, jogador do Werder Bremen, amadureceu após ser emprestado ao Atlético Paranaense. A sequência de jogos é importante para o jogador, pena que outras equipes como o São Paulo não possuem a mesma sorte. Renan e Alê estão vagando até hoje, sendo emprestados para clubes brasileiros. Outra alternativa é aproveitar na própria equipe: com tantos problemas alegados em relação ao elenco, o tricolor paulista peca em não aproveitar jogadores no time principal. Um exemplo é Lucas Gaúcho, dispensado da seleção sub-20. Enquanto isso, faíscas e críticas sobram quando o assunto é Dagoberto e Fernandão.