segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sensacionalismo barato

Da mesma forma que o cinema é indissociável da chamada indústria cultural, o sensacionalismo está para o jornalismo de quinta categoria. A estrutura das notícias rotineiras em canais como bandeirantes, sbt, rede record e, principalmente, rede globo, se encontra em todas as tentativas fenomenais de contornar problemas que tocam os paparazzi. Ora, se há pelo menos quatro anos as notícias sobre Ronaldo Nazário se concentram em sua vida privada, não há como dissociar a vida privada da vida pública deste que é um ex-jogador desde o fim da copa do brasil 2009. Em seu ano de retorno ao Brasil, o fenômeno de fato conseguiu burlar a mídia com alguns feitos para o Corinthians. Entretanto, se olharmos todos os episódios negativos do craque, logo veremos que as notícias positivas praticamente se equilibram com as negativas. Dentre os ínumeros fatos que poderiam ser elencados neste post, vamos nos deter em dois mitos bancados pela mídia sensacionalista: a exaltação do jogador em fim de carreira e a utopia do jogador-marketing. Quanto ao primeiro, isso tange diretamente nas atuações do atacante. Num contexto histórico em que se diz que o futebol brasileiro vem se modernizando, como aceitar que um jogador cujo peso se aproxima de 100 quilos possa ser chamado de profissional. O ato de ser atleta precede o ato de ser jogador de futebol. Infelizmente, a dialética da malandragem ainda impera com um tom eufórico, quase heróico no Brasil, fazendo com que todos os protagonistas que fujam das regras sejam os diferenciados no país. Consequentemente, a formação ética do esporte, traço que ainda mantém a esperança de muitos defensores do investimento maciço nesta grande área para todo o país e de modo descentralizado é rechaçada por completo devido ao império de Romários, Ronaldos, Edmundos.. todos craques. Craques não só da bola, como também do copo, da pegação, etc. Além disso, ainda tem-se que aturar o segundo fato, cujo slogan sempre se remete ao avanço na gestão dos clubes brasileiros de futebol. A ideia de bancar um craque, ou seja, uma forte marca, tem sido muito elogiada e incentivada por grande parte dos cartolas e, obviamente, de grande parta da crítica, cheia de rabos presos. O que é melhor: bancar um Ronaldo, sócio do clube, jogador de menos da metade dos jogos oficiais do clube pelo qual atua numa temporada ou bancar Neymar, Ganso, Alexandre Pato, o lateral Fábio, Thiago Alcantra, filho de Mazinho? Enquanto o ancião Rivaldo chega ao São Paulo, o tricolor briga para vender o atacante Ronieli, que fez boa Copa São Paulo ano passado, ao Blackburn. Ora, um cidadão procurado por um clube inglês certamente seria útil a um clube cujo técnico reclama clamorosamente acerca da carência de homens de frente no elenco. Grande projeto de marketing foi o de Neymar e o São paulo deve abrir o olho com Lucas, ex-Marcelinho. Entre o gol chamado de antológico na Vila Belmiro marcado por Ronaldo em 2009, prefiro ficar com a dezena de golaços feitos pela equipe santista ao longo de uma temporada inteira (2010). Embora Ronaldo tenha sido um dos melhores em sua posição, ainda prefiro o Romário  da copa de 94 assim como o Edmundo de 96-97. Mais: o grande heroísmo de Ronaldo fenômeno foi em 2002, num momento acompanhado de uma mudança na auto-estima brasileira, com uma nova taça do mundo e, muito mais importante, com uma nova cara na presidência da república. Negar este capítulo da história brasileira, do qual Ronaldo faz parte seria pura estupidez, assim como negar todo o aparato midiático que fez de Ronaldo um dos mais novos magnatas do mundo brasileiro da bola a partir de 2009, que manda e desmanda num dos mais populares clubes do país, seria menosprezar demais a inteligência dos que assitem tv. Menosprezo esse notadamente frequente em canais que vivem de merchan para pode noticiar porcamente as notícias do futebol brasileiro. Caso não houvesse a tal superação de 2002, Ronaldo ficaria lembrado pela final da copa de 1998.
Portanto, sem essa pouca vergonha de levar filhos e tiróide em entrevista coletiva, ok? Sem essa de levar cesta básica cheia de anúncios publicitários pros desabrigados das enchentes do Rio, ok? Sem essa de dizer que passou por inúmeras cirurgias e por isso não deve satisfação aos torcedores, sejam vândalos ou não, falô maluco?

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