quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
o de cima passa; o de baixo fica
Semelhantemente à analise desigual do crescimento das cidades, realizada pela banda Chico Science & Nação Zumbi, é a Copa do Brasil. Entra ano e sai ano e as condição materiais são estáveis, cada vez mais consolidadas. As partidas realizadas ontem revelam algo que já não precisa ser revelado. Alguém apostaria no Treze da Paraíba? Por quê não? Ora, a concentração dos investimentos em clubes de futebol se localiza no centro-sul brasileiro. O banco BMG, por exemplo, patrocina São Paulo, Cruzeiro e Atlético Mineiro, a Unimed banca o Fluminense e por aí vai. Disso decorre uma atenuação da atual situação de outro problema do futebol nacional: o calendário. Iniciando os treinamentos em meados de janeiro, as equipes da elite nacional ainda se encontram em pré-temporada, com jogadores sem o devido preparo físico ou ainda à procura de reforços, como o caso do Palmeiras, atualmente na busca de um centro-avante. Taticamente, isso se reflete numa notória falta de compactação das equipes. O Sâo Paulo, por exemplo, apresentava um lado direito totalmente distante, pois Jean não conseguia acertar uma tabela sequer com os meias tricolores. Sem falar no trio de zaga que, à medida em que se dão as atuações são-paulinas, observa-se cada vez mais lambanças, uma falta de entrosamento sem muita explicação, dado que o corpo bruto desta zaga está no clube há pelo menos três anos. Se ninguém sabe quem vai pra bola na marcação dos defensores, no meio campo não é diferente. Carlinhos Paraíba não marca e não acerta passes, muito menos lançamentos e Rodrigo Souto parece estar dopado em todas as partidas. Mas não dopado de cocaína, como já lhe ocorreu e sim de maconha ou algo do tipo, pois o cidadão é demasiado desligado. O São paulo não possuía jogadas coletivas que davam certo, até o retorno da promessa Lucas. Em seu primeiro jogo após o pré-olímpico, ele foi o único jogador que chamou a responsabilidade e armou as jogadas. Sorte do técnico Carpegiani, que deve aumentar suas chances de obter melhores resultados daqui em diante, tendo em vista que Rivaldo permanece machucado (nossa... é mesmo?), Juan e Jean são limitadíssimos e Ilisnho também vive se lesionando. O jogo do São paulo ficou manjado a partir do momento em que todos os técnicos sucessores da equipe campeã de Autuori e Muricy passaram a concentrar as jogadas do time exclusivamente pelas alas. Jean sequer é ala, assim como é incompetente no meio campo. Juan é o típico jogador gasparzinho, vive sumido quando o assunto é clássico ou jogo decisivo, é só puxar a ficha do jogador e ver suas duas passagens pelo futebol carioca. Lucas se movimentou muito, se aproximando dos atacantes e, de vez em quando, dos alas tricolores, com tabelas inteligentes que acarretavam numa facilidade de penetração pela defesa adversária. Enquanto está tudo bom pro lado do Lucas, com renovação de contrato que lhe dá o mérito de passar a ser o jogador com a multa rescisória mais cara do futebol brasileiro hoje, também há problemas. A belíssima atuação do meia-atacante foi contra uma equipe paraibana, não inclusa na elite nacional, que disputa a série D do brasileiro. Enquanto Lucas só sai se pagarem mais de 100 milhoes de reais e pertence ao clube brasilero com uma das 10 maiores folhas de pagamento do país, o Treze costuma passar por tentativas de enxugamento da folha, que certamente não chega a um milhão. O clube paraibano sequer chegou a tewstar Rogério Ceni no primeiro tempo. Méritos do São Paulo? Não. Mérito das condições materiais, pois o São Paulo continua sendo uma equipe pouco compacta, embora seja interessante a escalação que Carpegiani faz no setor ofensivo, somente com jogadores de movimentação. Portanto, mesmo com um futebol pouco perigoso, extremamente dependente dos lampejos de um único jogador,o São venceu o Treze por 3 a 0 e passa pra a próxima fase. Lucas ainda é uma promessa que já sehipervalorizou devido ao empresário que o agencia. Wagner Ribeiro e cia deveriam pensar projetos que possibilitassem a expansão da competitividade do futebol nacional, ao invés de trabalharem pela lógica da concentração no centro-sul. Ora, o país inteiro possui estádios com potencial para serem lotados se bem trabalhada a política dos ingressos, porque o futebol é um fato cultural muito protagonista aqui.Porém, esta política empresarial deve ser tão lucrativa que causa tamanho conforto dos que detém asparecelas das pizzas. Um conforto nas maõs de poucas pessoas e, portabela, de poucos clubes brasileiros.
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