A espera que a equipe catalã apresenta ao longo de todos os minutos de um jogo evidencia que o futebol bem jogado é aquele que é também pensado.
http://www.youtube.com/watch?v=RiPiWW0jV-4
Tocando a bola desde a reposição do tiro de meta, o barça mostra que a tônica de sua filosofia é jogar simples, não errando nos fundamentos, em detrimento de malabarismos táticos ou de uma base que forma apenas muralhas no meio e cones na frente.
O toque de bola sempre com a equipe muito compacta, com ao menos três jogadores muito próximos faz com que as triangulações, hoje tão raras numa partida do campeonato brasileiro, sejam rotina numa partida do melhor time do mundo.
A filosofia do Barcelona é, em poucas palavras, jogar bola, ao invés de se preocupar demais com o adversário e, consequentemente, se retrancar. Mesmo a equipe de Dorival Júnior de 2010, o Santos que não mais existe, era bem mais defensivo. Para marcar sob pressão durante os noventa minutos, é preciso preparo físico e muito treino.
No dia em que observarmos um lateral brasileiro de origem(tendo em vista os inúmeros alas-severinos, reis do improviso) cruzando bolas com aproveitamento maior que cinquenta por cento e zagueiros saindo tocando a bola sem se estabanar (como no caso de muitos que apenas fazem isso no desespero de sua equipe em situação de desvantagem no placar) aí sim o futebol brasileiro estará em outro caminho. Isso está muito longe de acontecer. A geração de Mano Menezes é, infelizmente, muito jovem. E tem o Jorginho por aí agora também...
http://www.youtube.com/watch?v=W9HZsf6DWGM
É isso aí. E pra quem acha que é só o barça que joga assim, o Arsenal da Inglaterra, infelizmente não conta com os mesmos investimentos, porém apresenta filosofia de jogo muito parecida. Semelhantemente, é uma equipe que trabalha muito com os fundamentos dos jogadores. Basta ver que todos os meias tocam muito bem a bola como, por exemplo, Song. Se ão forma todos os seus jogadores, aposta em muitos jovens e baratos jogadores. Muitos podem não dar certo, como no caso do esdrúxulo Breidtner, mas o que falta no Brasil é exatamente isso: uma filosofia bem definida nas equipes.
Pra ter filosofia é preciso muito mais do que bilhões. É preciso muito tempo e uma ideologia que esteja em conjunção com a identidade do clube em questão. Os clubes precisam olhar para seu passado, principalmente os brasileiros e ver que equipes como o São Paulo de Telê Santana e o Flamengo liderado em campo por Zico já possuíam a tal filosofia de jogo. Não com o mesmo marketing dos catalães, mas convenhamos que outro contexto; outra conjuntura.
Ter filosofia de jogo não é nem vender jovens jogadores ao exterior tampouco investir muita grana em repatriações. Ter filosofia é sim manter um técnico por um bom tempo, desde que ele entre em consonância com os planos a longo prazo da diretoria, corpo que precisa ser exemplo de organização. Agora, Muricy, jorginho, Mano, são técnicos de filosofia ou de resultado? Tire suas próprias conclusões...
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